Cartas
Radis nº 37 – Setembro de 2005

Os ribeirinhos do Tapajós

Sou médico e professor de Saúde Coletiva na Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (Emescam). Há muitos anos acompanho a revista e leio as publicações do Programa Radis. Os temas são sempre muitos bons e atuais, o que me motiva a trabalhar com eles em sala de aula. Um fato legal é que a revista tem melhorado sensivelmente de uns tempos para cá. Ficou “mais leve”, ganhou em conteúdo e apresentação. Mas, sinceramente, no último número vocês se superaram. A revista está linda. As fotografias estão belíssimas, poéticas até. Em perfeita sintonia com a matéria sobre os ribeirinhos do Tapajós. Parabéns para os autores Aristides Dutra e Jesuan Xavier. Bem-vindas as cores!

• Erivelto Pires Martins, Vitória


Logomarca e discurso em comum

Foi com surpresa e satisfação que vimos a edição da Radis falando da logomarca do SUS. A fim de compor o trabalho final do mestrado profissional em gestão da informação e comunicação em saúde na internet, pedi aos responsáveis pela programação visual do Canal Saúde a logomarca do SUS. Segundo a pesquisa, a logomarca bem definida num lugar privilegiado é um pré-requisito fundamental de uma página na internet com uma boa usabilidade.

Porém, esbarramos com esta resposta do MS: “O SUS não tem mais um logotipo especifico, o que temos é um padrão de identificação, na parte superior das páginas eletrônicas do Ministério da Saúde — observe no link www.datasus.gov.br/”. Isso revela a ausência de uma política de comunicação para o Sistema Único de Saúde. São milhares de jornalistas que trabalham neste “Brasilzão”, fazendo uma mera assessoria de imprensa da gestão de secretários de Saúde ou do ministério, sem um discurso em comum que correlacione a ação comunicativa ao bem-estar e à promoção da saúde da população.

Urge lembrar aos gestores o clamor da 12ª Conferência Nacional de Saúde pela formação da Rede Pública Nacional de Comunicação e Saúde, onde certamente nós, jornalistas, comunicadores, conselheiros, médicos, enfermeiros, agentes e profissionais da saúde, construiremos um futuro em que o cidadão esteja informado e conheça a cara deste sistema tão arduamente construído pela via democrática.

• Angélica Silva, Fátima Gomes, Marcelo Vianna, Canal Saúde, Rio de Janeiro


Olha o SUS aí, gente!

Fiquei muito feliz ao retornar das férias e saber que nossa busca em mostrar um SUS diferente daquele enxovalhado pela grande mídia teve um considerável destaque nas páginas da Radis n° 35, julho de 2005. Veio uma mistura de alegria e saudade, já que faz tempo que traçamos os emoticons, e também pelo fato de os colegas do GICES estarem dispersos. Nossas boas e interessantes discussões sobre comunicação e educação em saúde precisam ser retomadas em novos momentos e espaços. Esta publicação vem nos mostrar que muitas coisas simples que fazemos podem repercutir a curto ou a longo prazo na busca de um SUS com a devida qualidade. Valeu e obrigado!

• Marcelo Marques de Mélo, dentista, especialista em Saúde Coletiva, Florianópolis


Porta de entrada do SUS

A Radis de julho de 2005 estourou a boca do balão. Era preciso que esta discussão ganhasse dimensão nacional. Está provado que uma das entradas do sistema de saúde brasileiro (SUS) está completamente fechada. Falo da comunicação visual. Diante do diagnóstico que a Radis obteve junto à entrada do Hospital Geral de Bonsucesso, segundo consta da reportagem, cabe uma profunda reflexão sobre a existência de forças internas que avançam na contramão do SUS. É extremamente preocupante. Tenho bem claro que o sistema é complexo e inúmeras variáveis precisam ser levadas em consideração.

Uma outra porta de entrada é aquela que diz respeito à Atenção Básica (Radis 34). A população também sabe se defender. Se não tem estrutura de atendimento condizente com as necessidades, ela procura diretamente o hospital, pois sabe que lá, mesmo com todas as dificuldades existentes, será atendida. Já nos postos de saúde a situação é muito mais precária. Imagino que a melhora virá a partir do momento em que a rede básica receber a atenção necessária, com profissionais presentes, medicamentos, possibilidade de pequenas cirurgias, e claro que isso inclui também a melhora dos valores pecuniários pagos a todas as categorias que executam suas tarefas.

• Rudi Lopes, farmacêutico-bioquímico, Florianópolis


Defesa do SUS

Faço especialização em Saúde Coletiva e residência no Serviço Social do Centro de Capacitação Permanente em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde. Gostaria de dizer que achei pertinente a defesa que foi dada ao SUS, edição 36. Esse é o sentimento que deve ser adotado por aqueles que fazem diariamente o Sistema Único de Saúde: DEFESA. Parabéns.

• Helga Muller Mengel, Aracaju


BH, PSF, mensalão...

Na condição de mineiro e há algum tempo morando na capital, fiquei honrado de ler na edição 34 da revista Radis que o programa de atenção básica de Belo Horizonte, BH Vida: Saúde Integral, desponta como modelo assistencial no país, contando com 504 equipes de PSF. Mais à frente, na mesma edição, vemos que a capital fluminense, consideravelmente mais populosa do que a mineira, dispõe de apenas 111 equipes. Na posição também de freqüentador do nosso sistema de saúde pública, ainda vejo hospitais e ambulatórios de referência abarrotados, por total carência dos sistemas de contra-referência.

Enquanto isso, me entristece ver que nossa mesma capital mineira também figura na mídia nacional como palco de políticos corruptos, tráfico de influência e pagamento de “mensalões”. Assim, vejo que, apesar de haver aqui um belo horizonte para o SUS, ainda existe algo que nos trava, que desvia verbas e se reflete nos diversos setores sociais. Entristeço ainda mais em pensar que, por certo, isso se repete nas outras capitais e cidades do Brasil.

• Hugo Brito, estudante de Medicina da UFMG, Belo Horizonte


Ouvidoria acessível

Não consigo acessar a matéria sobre ouvidoria pública (Radis nº 35) e, por exercer a função, tenho o maior interesse em aferir o posicionamento desta conceituada instituição referente à matéria. Acabo de me cadastrar como novo assinante e espero poder ser contemplada com a revista. Todavia, gostaria que ponderassem sobre a possibilidade de encaminhar o número atual, atendendo assim minha expectativa de entrar em contato com o artigo.

• Claudia Regina Haponczuk de Lemos, médica, ouvidora do Instituto do Coração-HC-FMUSP, São Paulo

n Prezada Claudia, encaminhamos a revista pelo correio tradicional. Por e-mail enviamos a página 13 da Radis 35. Para acessar a revista em nosso endereço na internet (www.ensp.fiocruz.br/radis) é necessário baixar o programa Adobe Reader (www.adobe.com.br/products/acrobat/readstep2.html).


Radis apartidária

Gostaria de me posicionar, indignado, contrariamente às posturas assumidas pelos leitores Fábio Lentúlio Mota Filho (“Radis partidária”) e Helio Custodio (“Postura perigosa”), na Radis 34, que afirmaram que a Radis é tendenciosa e que o Ato Médico precisa ser aprovado, como já vi em cartazes “pela defesa da saúde”.

Sobre a primeira afirmativa, sou leitor da Radis desde a 10ª edição e acompanho as publicações da Fiocruz há algum tempo. Jamais fiz esta interpretação absurda. Desde que comecei a ler estas publicações já se passaram alguns governos, e, mais recentemente, dois deles ideologicamente contrários (FHC e Lula). A Radis sempre manteve sua preocupação com a Saúde Coletiva e com a efetivação e a construção do SUS, denunciando os desmandos, propondo soluções e mostrando as experiências exitosas.

Com relação ao Ato Médico, é no mínimo irresponsável essa postura corporativista que a classe médica vem adotando. Alegam que o ato viria definir competências. Ora, a graduação já faz este papel, senão seria exercício ilegal da profissão. A verdade é que os médicos vêm perdendo espaço e dinheiro, sendo esta a “dor maior”. Definitivamente, o Ato Médico (nome por si só corporativo e autoritário) vai de encontro aos princípios do SUS, em especial ao da interdisciplinaridade e toda uma história de construção (ainda inacabada) do SUS: todos nós somos responsáveis pela saúde seja nas ações seja na assistência.

• Romeu Costa Moura, fisioterapeuta especialista em Saúde Pública, Guanambi, BA


Na pauta

É com imenso prazer que escrevo a vocês para elogiar a excelente produção de informações a respeito de diferentes assuntos sobre saúde. Como usuário, participei de duas conferências, a Doze e a 3ª Conferência Nacional de Saúde Bucal. Sou um grande defensor do SUS, tendo me empenhado ao máximo no sentido de efetivar seus conceitos, como resolutividade, democratização, universalidade, integralidade e eqüidade. Neste sentido, gostaria de ver matéria a respeito da obesidade, principalmente o grupo “infanto-juvenil”. Tenho feito várias pesquisas a respeito e aproveito para mandar textos sobre o assunto. O SUS é uma construção coletiva.

• Francisco Carlos G. Arduim, Pelotas, RS

Sou do município de Santo André (SP) e trabalho na vigilância sanitária direcionada à área de alimentos. Gostaria de sugerir trabalhos com “formas diferentes” da atuação das Visas, considerando o universo a ser fiscalizado e as dificuldades comuns (deslocamentos dos técnicos, necessidade de atualização nos diversos campos a fim de acompanhar o desenvolvimento tecnológico, equipe multidisciplinar etc.).

• Edna Correa Clares, Santo André, SP n


NORMAS PARA CORRESPONDÊNCIA
A Radis solicita que a correspondência dos leitores para publicação (carta, e-mail ou fax) contenha identificação completa do remetente: nome, endereço e telefone. Por questões de espaço, o texto pode ser resumido

Revista completa
Ler PDF
1.561 kb
Salvar PDF
1.360 kb
Sumário